Administração Trump proíbe importação de novos robôs humanóides chineses para proteger sector da IA
Medida também abrange inversores de energia e reforça estratégia dos Estados Unidos para reduzir a dependência tecnológica da China.
Foto: DR
Paulo Massunda
Jornalista e CEO
A administração do Presidente Donald Trump anunciou, na terça-feira, um conjunto de restrições que proíbe a importação de novos robôs humanóides e quadrúpedes de origem chinesa, bem como de inversores de energia conectados à rede eléctrica, numa medida que visa proteger a expansão da indústria de Inteligência Artificial (IA) dos Estados Unidos e reforçar a segurança nacional, noticiou a Reuters.
Segundo a agência, as medidas foram divulgadas pela Comissão Federal de Comunicações (FCC), que justificou a decisão com a necessidade de proteger a cadeia de abastecimento da IA norte-americana contra potenciais ameaças, como interrupções no fornecimento, roubo de dados e ciberataques.
Além de reforçar a segurança tecnológica, a administração norte-americana pretende incentivar as empresas a transferirem a produção para território dos Estados Unidos, reduzindo a dependência de fornecedores chineses em sectores considerados estratégicos.
"Estes dispositivos podem criar vulnerabilidades na cadeia de abastecimento que prejudiquem a segurança económica e nacional dos Estados Unidos, além de representarem riscos de cibersegurança para infra-estruturas críticas", afirmou a FCC, em comunicado.
O presidente da FCC, Brendan Carr, acrescentou que a instituição continuará a adoptar medidas para proteger as cadeias de abastecimento críticas do país.
Em reacção, a Embaixada da China em Washington instou os Estados Unidos a ouvirem "as vozes objectivas e racionais das comunidades empresariais de ambos os países" e a deixarem de "difamar empresas chinesas e ameaçá-las com sanções".
A representação diplomática advertiu ainda que o Governo chinês "tomará todas as medidas necessárias" para responder a quaisquer acções que causem prejuízos materiais aos interesses de Pequim.
De acordo com analistas citados pela Reuters, os robôs humanóides equipados com Inteligência Artificial deverão conhecer uma ampla adopção nos sectores industrial e de consumo nos próximos anos, enquanto a rápida expansão dos centros de dados nos Estados Unidos dependerá cada vez mais de inversores de energia fiáveis.
Entretanto, o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, alertou que empresas chinesas ligadas à Inteligência Artificial poderão enfrentar sanções por alegado roubo de propriedade intelectual norte-americana.
As autoridades dos Estados Unidos procuram igualmente evitar que se repita um cenário semelhante ao das terras raras, cuja produção é amplamente dominada pela China, conferindo a Pequim uma posição estratégica no fornecimento de matérias-primas essenciais para a indústria tecnológica mundial.
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