Como funcionam os limites de variação de preços na BODIVA? A instituição ensina!
Os limites não devem ser entendidos como uma forma de a BODIVA “segurar” os preços.
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Redacção
Perceber o que acontece quando o preço de uma acção sobe ou desce de forma acentuada é importante para quem acompanha o mercado de capitais.
Quando se fala em bolsa de valores, uma pergunta surge naturalmente: o que acontece quando o preço de um activo começa a variar muito num curto espaço de tempo? Pode uma acção subir ou descer sem qualquer limite durante uma sessão de negociação? A resposta é não. No mercado de capitais existem mecanismos concebidos para controlar movimentos abruptos dos preços e contribuir para uma negociação mais ordenada.
É precisamente sobre este tema que a Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA) procurou esclarecer os investidores através de uma publicação recente nas suas redes sociais, na qual explica os mecanismos que ajudam a manter a negociação ordenada, ou seja, como funcionam os limites de variação de preços aplicados no mercado.
Afinal, como se forma o preço?
Antes de perceber os limites, é importante entender de onde vem o preço de um activo.
De forma simples, o preço resulta do encontro entre ordens de compra e de venda registadas no sistema de negociação, desde que sejam válidas e cumpram as regras aplicáveis.
Ou seja, não é a BODIVA que decide se determinado activo deve subir ou descer. São as ordens colocadas pelos participantes no mercado que, ao se encontrarem, contribuem para a formação do preço. Porém, há mecanismos para evitar que essa formação aconteça através de movimentos considerados excessivamente bruscos.
Dois limites, duas referências
Segundo a BODIVA, são utilizados dois mecanismos complementares: o Limite de Variação Estática e o Limite de Variação Dinâmica.
A diferença entre ambos está essencialmente naquilo que utilizam como referência.
1. Limite de Variação Estática - até 25% nas acções
O primeiro mecanismo compara o preço de uma potencial negociação com o preço de referência da sessão. Para as acções, o limite aplicável é de 25%. Isto significa que, em condições normais, uma proposta susceptível de originar um negócio para além dessa margem não é aceite pelo sistema.
Imagine, por exemplo, que o preço de referência de uma acção é de 10.000 kz. Uma variação de 25% corresponde a uma margem de 2.500 kz para cima ou para baixo. Assim, o mecanismo estabelece uma faixa dentro da qual os negócios podem ocorrer, de acordo com as regras de negociação aplicáveis.
O objectivo não é impedir a valorização ou desvalorização da acção, mas evitar movimentos abruptos face ao preço de referência.
2. Limite de Variação Dinâmica - até 20% nas acções
O segundo mecanismo acompanha mais directamente a evolução do preço durante a negociação. O Limite de Variação Dinâmica compara uma potencial negociação com o último preço de mercado aplicável, controlando a variação entre negócios sucessivos. Para as acções, este limite está fixado em 20%.
A lógica é simples: mesmo que o preço esteja dentro da margem permitida em relação ao preço de referência da sessão, o sistema também verifica se a diferença em relação ao negócio anterior não é excessivamente elevada. É por isso que os dois mecanismos funcionam em conjunto. E em determinadas condições de volatilidade, a negociação pode ser interrompida temporariamente.
Segundo a explicação da BODIVA, essa interrupção permite a recomposição do livro de ordens e, quando aplicável, a realização de um leilão de reabertura.
Aqui também há uma distinção importante: interrupção não é o mesmo que suspensão. A interrupção está relacionada com determinadas condições de volatilidade e permite reorganizar o processo de negociação. Já a suspensão é uma medida excepcional, utilizada perante situações susceptíveis de comprometer a regularidade da negociação, a adequada informação do mercado ou a protecção dos investidores.
Então, quem decide se o preço sobe ou desce?
Esta é talvez a parte mais importante da explicação. Os limites de variação não determinam a direcção dos preços. Uma acção pode valorizar ou desvalorizar. O que estes mecanismos procuram fazer é evitar que essa variação aconteça de forma abrupta, contribuindo para uma negociação mais ordenada.
Por isso, os limites não devem ser entendidos como uma forma de a BODIVA “segurar” os preços. A instituição não garante determinado valor para uma acção nem impede a sua valorização ou desvalorização.
O seu papel, neste contexto, passa por assegurar condições para que o processo de formação de preços decorra com integridade, transparência e regularidade.
No fundo, quando um investidor vê uma acção variar significativamente durante uma sessão, há mais do que simplesmente compradores e vendedores por trás do movimento: existem também mecanismos de controlo que procuram tornar o processo de negociação mais previsível e ordenado.
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