Dérbi de Manchester chega cedo, mas já mede quem pode realmente desafiar o Arsenal
Manchester United e Manchester City encontram-se domingo em Old Trafford, num dérbi que pode oferecer a primeira medida real das respectivas ambições na corrida ao campeão Arsenal.
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Paulo Massunda
Colaborador
Ainda só passaram três jornadas da Premier League, mas o primeiro dérbi de Manchester da época chega num momento suficientemente revelador para colocar os dois projectos sob escrutínio.
O Manchester City soma nove pontos em nove possíveis, exactamente os mesmos do Arsenal, e ocupa o topo da classificação à frente dos “gunners” apenas pelos critérios de desempate. Já o Manchester United conquistou quatro pontos e procura transformar sinais recentes de crescimento numa candidatura capaz de resistir ao ritmo dos dois primeiros.
O encontro está marcado para domingo, 13 de Setembro, às 16h30 de Angola, em Old Trafford. O Manchester City confirma oficialmente data, estádio e horário do dérbi.
City começa a era pós-Guardiola sem perder pontos
A transição para Enzo Maresca não poderia ter começado melhor em termos de resultados.
O City venceu os três primeiros jogos da Premier League, frente a Bournemouth, Crystal Palace e Coventry, marcou sete golos e sofreu apenas dois. Depois, levou o registo perfeito para a Europa ao derrotar o FC Porto por 2–0, na abertura da Champions.
O rosto mais familiar desta nova fase continua a ser Erling Haaland. O norueguês marcou os dois golos no Porto e já tinha sido decisivo no campeonato, incluindo o golo da vitória diante do Coventry.
Mas existe algo novo por detrás da continuidade goleadora de Haaland. O City investiu fortemente na reconstrução do plantel e começou a integrar jogadores como Enzo Fernández, que teve impacto imediato na estreia ao participar directamente no golo que derrotou o Coventry. A Reuters estima em cerca de 450 milhões de libras a remodelação do plantel nesta fase pós-Guardiola.
É precisamente em Old Trafford que esse projecto encontrará o primeiro ambiente de verdadeira pressão doméstica.
United ainda procura estabilidade
Do outro lado, o Manchester United apresenta um arranque bem menos linear.
A equipa de Michael Carrick começou a Premier League com uma inesperada derrota por 2–0 frente ao recém-promovido Hull City, respondeu com uma vitória por 5–2 sobre o Ipswich e depois desperdiçou uma vantagem no empate 2–2 diante do Everton.
Quatro pontos em três jornadas deixam o United cinco pontos atrás de Arsenal e City.
A principal preocupação tem sido defensiva. Frente ao Everton, a equipa esteve duas vezes em vantagem, mas sofreu o empate aos 96 minutos, situação que Carrick reconheceu como particularmente frustrante.
A resposta na Champions, contudo, foi convincente: 4–0 sobre o Sabah, com golos de Matheus Cunha, Bruno Fernandes, Benjamin Šeško e Lisandro Martínez. Foi também o primeiro jogo sem sofrer golos neste novo ciclo europeu.
Šeško chega no melhor momento
Entre as boas notícias para Carrick está a recuperação de Benjamin Šeško.
O avançado esloveno esteve quase três meses afastado devido a uma lesão na canela, mas marcou contra o Everton e voltou a facturar diante do Sabah. Carrick destacou a velocidade, capacidade física e facilidade do jogador em atacar o espaço nas costas da defesa.
A recuperação de Šeško acrescenta uma dimensão importante ao duelo com um City que tende a controlar territorialmente os jogos e deixar espaço para transições.
Para o United, este dérbi será sobretudo uma questão de credibilidade. Vencer reduziria a diferença para o City e demonstraria que a equipa pode competir directamente com os principais candidatos. Uma derrota, pelo contrário, poderia deixar os “red devils” já oito pontos atrás do rival após apenas quatro jornadas.
Arsenal é a referência
O título desta partida passa inevitavelmente pelo Arsenal.
Os “gunners” são os campeões em título da Premier League e começaram a defesa da coroa com três vitórias. Na jornada anterior, responderam a um golo sofrido aos 77 segundos para derrotar o Chelsea por 2–1, com Kai Havertz e Martin Ødegaard a completar a recuperação.
Esse resultado reforçou a impressão de continuidade: enquanto vários rivais atravessaram grandes mudanças de treinadores e plantéis, Mikel Arteta manteve uma estrutura consolidada e habituada à pressão de disputar o título.
O Arsenal joga no sábado diante do Sunderland, pelo que poderá chegar ao domingo já com 12 pontos e colocar pressão adicional sobre o dérbi de Manchester.
É por isso que a partida em Old Trafford vale mais do que três pontos, apesar de chegar tão cedo.
Para o City, é a oportunidade de provar que a saída de Pep Guardiola não alterou a posição do clube entre os principais candidatos ao título.
Para o United, é a oportunidade de demonstrar que a reconstrução de Carrick já está suficientemente avançada para enfrentar — e vencer — equipas do nível necessário para disputar a Premier League.
E para ambos existe uma referência comum: um Arsenal que começou a época exactamente onde terminou a anterior — na frente.
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