Fórum Empresarial do Corredor do Lobito realça infra-estruturas como ponto de partida para investimento, parcerias e emprego
Foi sublinhado o papel de programas como o AgrInvest, de 50 milhões de euros.
Foto: DR
Nilwa António
Jornalista, fotógrafo e editor-chefe
O Fórum Empresarial do Corredor do Lobito Angola-UE 2026, que decorreu nos passados dias 5 e 6 deste mês, encerrou com um balanço positivo e uma mensagem central repetida ao longo dos dois dias de trabalhos: as infra-estruturas são a pista de descolagem; o destino é o investimento, as parcerias e o emprego.
Na abertura, o ministro do Planeamento, Victor Hugo Guilherme, enquadrou o Corredor do Lobito como instrumento central da estratégia de diversificação económica de Angola, sublinhando o crescimento do PIB de 3,1% em 2025 e projecções de 4,2% para 2026, impulsionadas sobretudo pelo sector não petrolífero.
O governante, ainda, destacou o compromisso com previsibilidade regulatória, disciplina fiscal e reforço da segurança jurídica, bem como a assinatura do Acordo de Facilitação de Investimento Sustentável (SIFA) com a União Europeia.
Do lado europeu, Stefano Signore, da Direcção-Geral para as Parcerias Internacionais da Comissão Europeia, reforçou a visão do corredor como um eixo económico integrado a 360 graus, indo além da ferrovia e do porto. A ambição passa por articular energia, conectividade digital, cadeias de valor agrícolas, formação profissional e criação de emprego, com os instrumentos da “Equipa Europa” a serem mobilizados para tornar os projectos financiáveis.
De acordo com uma nota a que o Noticiário teve acesso, os debates dedicados à agricultura e agro-negócio destacaram o potencial produtivo de Angola, como cereais, frutas tropicais e café, tendo-se focado igualmente nos desafios associados ao acesso a tecnologia, insumos e integração nas cadeias de valor.
O papel de programas como o AgrInvest, de 50 milhões de euros, bem como iniciativas em curso como a exportação de abacate e a revitalização do sector cafeeiro através do programa Mukafé também merecem especial atenção.
Na logística e transportes, os participantes convergiram na ideia de que o valor do corredor depende da sua “última milha”. Foram destacados investimentos como a reabilitação ferroviária da Lobito Atlantic Railway, com cerca de 300 milhões de dólares já comprometidos por operadores privados europeus, e o investimento portuário da Africa Global Logistics superior a 100 milhões de euros. A estes juntam-se 7 milhões de euros da União Europeia para plataformas logísticas, cofinanciados com os Países Baixos.
O evento reuniu mais de 1.200 participantes registados, com cerca de 530 presentes no primeiro dia e mais de 400 no segundo, incluindo empresas angolanas e europeias, instituições financeiras internacionais, organismos públicos e entidades de apoio empresarial.
Ao longo do programa, realizaram-se quatro plenárias, seis painéis temáticos, uma feira de projectos, sessões de pitch e um intenso processo de matchmaking B2B e B2G, segundo o documento.
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