Luanda, Angola
Ciência

Pegadas de 1,43 milhões de anos revelam novos detalhes sobre ancestral humano no Quénia

Pegadas fossilizadas sugerem que o Paranthropus boisei era maior do que se pensava e que machos adultos podiam deslocar-se em grupo.

Pegadas de 1,43 milhões de anos revelam novos detalhes sobre ancestral humano no Quénia

Foto: DR

Pa

Paulo Massunda

Jornalista e CEO

31 jul 2026
5 min de leitura
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Pegadas fossilizadas com cerca de 1,43 milhões de anos, encontradas nas margens do Lago Turkana, no norte do Quénia, estão a permitir aos cientistas conhecer melhor o tamanho e o comportamento do Paranthropus boisei, uma espécie extinta da linhagem evolutiva humana.

Os investigadores identificaram 21 pegadas deixadas por oito indivíduos, que parecem ter atravessado juntos uma zona de lama junto ao antigo lago. Com base no formato dos pés e na forma de caminhar, os cientistas atribuíram os vestígios ao Paranthropus boisei e estimam que tenham sido produzidos por machos adultos.

O estudo, publicado nos Anais da Academia Nacional de Ciências, indica que a espécie poderá ter atingido cerca de 1,83 metros de altura e 75 quilogramas, dimensões superiores às estimativas anteriores e próximas das atribuídas ao Homo erectus.

Conhecido sobretudo pelos crânios robustos e pelos dentes de grandes dimensões, o Paranthropus boisei apresentava uma crista no topo do crânio que servia de suporte a fortes músculos responsáveis pela mastigação. Acredita-se que a sua alimentação incluísse gramíneas, plantas de zonas húmidas, sementes e frutos secos.

As pegadas também oferecem pistas sobre a organização social da espécie. Os oito indivíduos deslocavam-se entre a margem e águas relativamente mais profundas, embora os investigadores não consigam determinar exactamente o que procuravam. Entre as possibilidades estão a procura de alimento ou água, a vigilância do território ou simplesmente a deslocação em grupo.

Uma das hipóteses levantadas pelos investigadores é que as pegadas tenham sido deixadas por um grupo de machos adultos, comportamento observado actualmente em algumas espécies de primatas, como os gorilas.

O Paranthropus boisei surgiu há cerca de 2,3 milhões de anos e terá desaparecido há aproximadamente 1,2 milhões de anos, num período marcado por alterações climáticas que podem ter reduzido os recursos alimentares disponíveis.

A espécie coexistiu na região com o Homo erectus, um hominídeo mais próximo da linhagem que conduziu ao Homo sapiens. A possível competição por recursos alimentares é apontada pelos investigadores como uma das hipóteses que poderá ter contribuído para o desaparecimento do Paranthropus boisei.

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