Quatro títulos colocam Filomena Gonçalves entre os nomes a seguir no ténis angolano
Campeã nacional em singulares e pares nos Sub-16 e Sub-18, jovem angolana confirma evolução competitiva e reforça a expectativa em torno do seu futuro na modalidade.
Foto: DR
Paulo Massunda
Colaborador
Filomena Gonçalves terminou os Campeonatos Nacionais Júnior de Ténis 2026 como uma das grandes protagonistas da competição. Entre 17 e 23 de Agosto, a jovem angolana conquistou quatro títulos nacionais em dois escalões diferentes, um registo que a coloca naturalmente entre os nomes que mais atenção despertaram nesta edição.
Os resultados divulgados pela Federação Angolana de Ténis (FAT) mostram a dimensão da prestação: Filomena venceu os singulares femininos Sub-16 e Sub-18 e repetiu o sucesso nos pares femininos dos mesmos dois escalões.
Nos Sub-16, onde participaram 20 atletas na prova feminina, Filomena terminou como campeã nacional, enquanto Catarina Manaças ficou com o segundo lugar. Já nos Sub-18, categoria que reuniu 12 jogadoras, voltou a conquistar o título, desta vez à frente de Sirka Mwahala.
O facto de ter vencido em dois escalões distintos é um dos elementos que mais valorizam a sua campanha. Filomena não conseguiu apenas afirmar-se numa categoria: mostrou capacidade para competir e vencer também num patamar superior.
Nos pares, o rendimento manteve-se. Em Sub-16, formou dupla com Winnie Tuluca e conquistou o título diante de Sirka Mwahala e Angela Manaças. Nos Sub-18, Filomena passou a jogar ao lado de Sirka Mwahala, sua adversária na decisão de singulares desse escalão, e as duas terminaram campeãs, à frente de Ana Lemos e Feliciana Vinda.
O balanço final da sua participação foi, assim, perfeito nas quatro provas em que surge como vencedora: campeã de singulares Sub-16, campeã de singulares Sub-18, campeã de pares Sub-16 com Winnie Tuluca e campeã de pares Sub-18 com Sirka Mwahala.
Quatro competições, quatro títulos.
A prestação de 2026 ganha ainda mais peso quando observada à luz do percurso recente da atleta. Em 2025, Filomena já integrava o grupo de jovens chamadas à representação nacional. Antes dos Jogos Desportivos da CPLP, realizados em Díli, Timor-Leste, o seu nome constava da pré-selecção anunciada pela Federação Angolana de Ténis.
Na competição internacional, a angolana alcançou o pódio nos singulares femininos e conquistou a medalha de bronze, terminando no terceiro lugar ex-aequo com a portuguesa Sofia Ferreira da Silva. O resultado foi registado pela imprensa portuguesa durante a cobertura dos Jogos da CPLP.
Esse dado permite enquadrar melhor o que aconteceu agora nos Campeonatos Nacionais: o domínio interno surge depois de um primeiro sinal relevante em competição internacional.
A edição de 2026 dos Nacionais reuniu 166 jovens atletas, segundo a FAT, distribuídos pelos escalões Sub-12, Sub-14, Sub-16 e Sub-18, nas categorias masculina e feminina. Estiveram representadas as províncias de Luanda, Namibe, Huíla, Benguela e Huambo, através de associações provinciais, clubes e atletas individuais.
A distribuição de participantes confirma a dimensão do evento: 36 atletas nos Sub-12, 52 nos Sub-14, 46 nos Sub-16 e 32 nos Sub-18. A Federação destacou o envolvimento de atletas, treinadores, árbitros, dirigentes, encarregados de educação, clubes e associações provinciais na realização da competição, bem como o apoio institucional e dos parceiros do ténis nacional.
É neste contexto mais amplo de crescimento da base competitiva que os resultados de Filomena ganham particular interesse.
Ainda seria prematuro classificá-la já como um fenómeno do ténis angolano. Um salto dessa natureza exige continuidade competitiva, participação regular em torneios internacionais, acompanhamento técnico especializado, preparação física, exposição a adversárias de nível superior e condições financeiras para sustentar um calendário fora do país.
Mas os indicadores começam a justificar atenção.
Filomena já subiu a um pódio internacional nos Jogos da CPLP e, um ano depois, conseguiu vencer em dois escalões nacionais diferentes, tanto em singulares como em pares. A capacidade de repetir resultados em contextos distintos é um dos sinais relevantes no desenvolvimento de qualquer jovem atleta.
O desafio, a partir daqui, passa menos por identificar o talento e mais por criar condições para que ele evolua.
Para uma tenista com este tipo de resultados, o próximo passo deverá passar por maior exposição internacional, presença em competições juvenis fora de Angola, procura de ranking nas estruturas internacionais e um programa de desenvolvimento que acompanhe a evolução técnica, física e mental.
Esse processo é também um teste à estrutura do próprio ténis angolano. Os Campeonatos Nacionais ajudam a revelar quem está acima da média dentro do país; transformar essa diferença interna em competitividade internacional depende depois da qualidade do acompanhamento, do calendário e dos recursos disponíveis.
Filomena Gonçalves sai dos Nacionais de 2026 com um argumento muito forte a seu favor: quatro títulos numa só edição e em dois escalões diferentes.
Depois do bronze internacional alcançado em 2025, a próxima etapa será perceber como responde quando passar a enfrentar, com maior regularidade, jogadoras de outros países.
Não é ainda possível afirmar que Angola encontrou o seu próximo grande fenómeno do ténis. Mas os resultados já justificam uma conclusão mais prudente e igualmente importante: Filomena Gonçalves tornou-se uma das jovens atletas que o ténis angolano deve acompanhar de muito perto.
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