Standard Bank de Angola estreia-se na BODIVA após venda pelo Estado de 34% do capital
O Standard Bank de Angola iniciou nesta quarta-feira a negociação das suas acções na BODIVA, depois de uma oferta pública que movimentou 208,5 mil milhões de kwanzas.
Foto: DR
Redacção
A admissão das acções à Bolsa de Dívida e Valores de Angola foi assinalada, nesta quarta-feira, 30 de Setembro, com a cerimónia “Ring the Bell”, concluindo o processo de dispersão de parte da participação detida pelo Estado no banco.
De acordo com o folheto oficial da Oferta Pública de Venda, disponibilizado pelo Standard Bank de Angola, a operação envolveu 4,76 milhões de acções ordinárias, representativas de 34% do capital social e dos direitos de voto da instituição. As acções pertenciam ao Instituto de Gestão de Activos e Participações do Estado, em representação do Estado angolano.
A oferta decorreu entre 11 e 25 de Setembro e foi dividida em duas componentes. Um total de 3,36 milhões de acções, correspondentes a 24% do capital do banco, foi reservado ao Standard Bank Group Limited, enquanto 1,4 milhões de acções, equivalentes a 10%, foram colocados à disposição do público em geral.
Segundo os resultados divulgados pela Bolsa de Dívida e Valores de Angola, citados pela Lusa e pelo Jornal Económico, a operação atraiu 6.215 novos accionistas e registou uma taxa global de cobertura de 181,96%. Na parcela destinada ao público em geral, a procura atingiu 378,66% das acções disponíveis.
A BODIVA informou que foram apresentadas 8.683 ordens de subscrição, das quais 8.183 foram contempladas. Para o público em geral, o preço final foi fixado em 50 mil kwanzas por acção, enquanto o Standard Bank Group adquiriu a sua parcela pelo preço unitário de 41.220,24 kwanzas.
A aquisição dos 24% pelo Standard Bank Group representou aproximadamente 138,5 mil milhões de kwanzas. A venda dos restantes 10% ao público gerou 70 mil milhões de kwanzas, elevando o encaixe global do Estado para cerca de 208,5 mil milhões de kwanzas.
O montante coincide com o valor máximo bruto que havia sido estimado nos documentos oficiais da oferta. O folheto publicado pelo Standard Bank explicava que o preço atribuído ao accionista de referência resultou de uma avaliação independente, sustentada pelos métodos de fluxos de caixa descontados e múltiplos de mercado.
A entrada do banco na bolsa permite que os investidores passem a comprar e vender as acções através dos intermediários financeiros autorizados pela BODIVA. A instituição torna-se também a sétima empresa admitida ao mercado accionista angolano, segundo os dados da Bolsa citados pelo Jornal Económico.
Antes da operação, o Standard Bank Group detinha 51% do banco e o Estado, representado pelo IGAPE, controlava 49%. Com a aquisição dos 24% reservados na oferta, o grupo sul-africano elevou a sua participação para 75%. Os novos accionistas passaram a controlar 10%, enquanto os restantes 15% permanecem na esfera pública e deverão ser transferidos para o Fundo Soberano de Angola, de acordo com a informação divulgada pela BODIVA.
O presidente executivo do Standard Bank Group, Sim Tshabalala, afirmou durante a cerimónia que a admissão representa um marco para o banco e para o mercado de capitais nacional. Em declarações publicadas pelo jornal Expansão, o gestor reiterou o compromisso de longo prazo do grupo com Angola e com o financiamento do crescimento económico.
A estreia do Standard Bank de Angola aumenta a oferta de acções disponíveis no mercado nacional e reforça a utilização da BODIVA como instrumento do Programa de Privatizações. A condição de sociedade cotada também eleva as exigências de transparência, divulgação de informação financeira e prestação de contas perante os accionistas e o mercado.
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