Zheng admite pressão extrema em Pequim: “Aqui toda a gente quer derrubar-me”
Qinwen Zheng revelou depois de quase três horas de batalha no China Open que jogar diante do público chinês está a transformar cada encontro numa prova mental tão exigente quanto física.
Foto: DR
Paulo Massunda
Colaborador
A conferência de imprensa de Qinwen Zheng depois da vitória sobre Marie Bouzkova trouxe uma história que vai além do resultado. A chinesa venceu por 7-6(3), 4-6 e 7-5, em 2h54, mas admitiu que está a sentir uma pressão excepcional por competir em casa.
“Sinto que aqui toda a gente quer derrubar-me”, afirmou Zheng perante os jornalistas, explicando que as adversárias parecem elevar o nível quando a enfrentam em Pequim. A jogadora reconheceu ainda que entrou no encontro com “muita pressão” por querer corresponder às expectativas do público chinês.
A pressão já começa a ter uma dimensão estatística. Zheng disputou três encontros e três terceiros sets nesta edição e acumula oito horas e um minuto em court, mais do que qualquer outra jogadora no torneio até ao final da jornada de segunda-feira. Das suas 21 vitórias no circuito WTA em 2026, 13 foram decididas num terceiro set.
A própria chinesa reconheceu que precisa de gerir melhor essa carga emocional. O apoio das bancadas dá-lhe energia, explicou, mas também aumenta a responsabilidade de produzir o melhor ténis perante os adeptos do seu país. Antes do torneio, Zheng já tinha descrito o China Open como uma espécie de “quinto Grand Slam” para si.
Houve ainda tensão com o público durante o encontro. A AFP registou que Zheng reclamou várias vezes de movimentos nas bancadas durante os pontos e chegou a manifestar a irritação em chinês. Depois, pediu aos adeptos maior cuidado no próximo encontro.
Apesar do desgaste, o serviço continua a funcionar como a principal arma. Zheng disparou 11 ases contra Bouzkova, venceu 81% dos pontos disputados com o primeiro serviço e já soma 26 ases no torneio, o melhor registo do quadro feminino até esta fase.
A chinesa enfrentará agora Alina Charaeva, número 118 mundial e responsável pela surpreendente eliminação da líder do ranking Elena Rybakina. Zheng admitiu na conferência que conhece pouco o jogo da próxima adversária e foi particularmente directa sobre a preparação que fará: “Depois desta conferência de imprensa vou fazer o meu trabalho de casa.”
A combinação entre expectativa nacional, desgaste acumulado e três encontros consecutivos decididos no limite transforma o próximo duelo numa prova importante à capacidade de Zheng para gerir não apenas o ténis, mas também a pressão de ser uma das principais figuras desportivas da China.
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