Alcaraz rejeita encurtar os Grand Slams e aponta o calendário como verdadeiro problema do ténis
Carlos Alcaraz defendeu a manutenção dos encontros à melhor de cinco sets nos Grand Slams e pediu mudanças no calendário para reduzir a sobrecarga dos jogadores.
Foto: DR
Paulo Massunda
Colaborador
Carlos Alcaraz entrou directamente num dos debates mais importantes do ténis actual. Em Tóquio, o espanhol rejeitou a possibilidade de os encontros masculinos dos Grand Slams passarem da melhor de cinco para a melhor de três sets, argumentando que essa alteração retiraria parte da identidade às quatro maiores competições da modalidade.
A discussão ganhou força depois do último US Open, onde os horários nocturnos e a duração das partidas voltaram a provocar críticas. O próprio Alcaraz viveu um dos casos mais extremos: os quartos-de-final frente a Ben Shelton terminaram às 3h33 da madrugada.
Para o espanhol, porém, reduzir a duração dos encontros não é a resposta. Alcaraz considera que jogar à melhor de cinco sets é precisamente uma das características que distinguem os Grand Slams do restante circuito e advertiu que retirar esse formato significaria prejudicar o legado das competições.
A posição contrasta com ideias anteriormente apresentadas por Novak Djokovic, que já admitiu a possibilidade de as primeiras rondas dos Grand Slams serem disputadas à melhor de três sets. O novo responsável da Tennis Australia, Andrew Abdo, também levantou recentemente a hipótese de estudar formatos ou sistemas de pontuação alternativos, embora o Australian Open tenha posteriormente garantido que o formato de cinco sets continuará.
Alcaraz prefere que o problema seja atacado noutra frente: o calendário de praticamente 11 meses. O espanhol considera que a temporada precisa de maior espaço para recuperação e preparação, sobretudo num período em que lesões e desistências de jogadores de topo continuam a alimentar o debate sobre a exigência física do circuito. O próprio Alcaraz esteve cerca de cinco meses afastado esta temporada devido a uma lesão no pulso.
Os quatro Grand Slams já começaram a responder à crescente pressão dos jogadores. Foi criado um novo Player Advisory Council, destinado a permitir que os atletas participem directamente nas discussões sobre calendário, bem-estar e outras questões estruturais. Alcaraz e Jannik Sinner, contudo, não integram actualmente esse conselho.
A questão ultrapassa os Grand Slams. A Professional Tennis Players Association mantém um processo contra as principais entidades dirigentes do ténis, enquanto ATP e jogadores continuam a divergir sobre até que ponto o calendário obriga os atletas a competir em excesso. A ATP sustenta que existe margem de escolha na construção das temporadas e que tem adoptado medidas para equilibrar participação e recuperação.
A posição de Alcaraz estabelece, assim, uma separação clara entre duas discussões: o espanhol aceita que o ténis tem um problema de sobrecarga, mas não quer que a solução passe por alterar aquilo que considera uma característica essencial dos Grand Slams.
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