Empresas têm de saber identificar o ganho, o risco e como medi-lo, diz relatório da KPMG
Estudo baseia-se num inquérito global a executivos seniores de tecnologia e de negócio.
Nilwa António
Jornalista & Editor Chefe
As empresas precisam de identificar com precisão “onde está o ganho, qual é o risco e como se mede”, quando investem em tecnologia, defende a KPMG Angola, numa das conclusões do KPMG Global Tech Report 2026, divulgado esta semana.
Segundo o relatório, a ambição tecnológica das organizações está a crescer mais depressa do que a sua capacidade de execução, um desfasamento que pode comprometer o retorno dos investimentos digitais.
O estudo analisa como as organizações decidem, financiam e governam a tecnologia num contexto de transformação digital cada vez mais exigente em métricas de produtividade, gestão de risco e previsibilidade operacional.
De acordo com a consultora, muitas empresas aceleram projectos ligados à inteligência artificial, à modernização de aplicações e à gestão de dados, mas enfrentam obstáculos estruturais como dívida técnica, fragmentação de sistemas, escassez de competências e falhas de governação entre departamentos.
A chave para melhorar o desempenho está em transformar tecnologia em decisões mais rápidas, processos mais controlados e risco melhor gerido, afirmou o responsável pela área de Consultoria, Carlos Borges.
“As empresas têm de saber onde está o ganho, qual é o risco e como se mede. O relatório ajuda a enquadrar essa conversa com dados e padrões globais, úteis para decisões locais”, afirmou o sócio, para quem a evolução da agenda digital no país aumenta a pressão sobre a qualidade da execução.
“A agenda digital em Angola evolui a passos largos e uma execução de sucesso exige governação corporativa, métricas e registos operacionais, sobretudo em sistemas que suportam os serviços essenciais. O mercado ganha quando a ambição se converte em capacidade de entrega”, acrescentou.
O relatório surge num contexto em que a transformação digital ganhou maior destaque na agenda pública angolana, incluindo iniciativas como o ANGOTIC 2026 e o reforço do enquadramento institucional na área da segurança digital, após a aprovação da Estratégia Nacional de Cibersegurança por decreto presidencial em Dezembro de 2025.
Este quadro, segundo a KPMG, aumenta as exigências de resiliência e confiança operacional nos projectos digitais, particularmente em sectores considerados críticos, como infra-estruturas, serviços financeiros, energia, telecomunicações e administração pública.
Entretanto, o KPMG Global Tech Report 2026 identifica três decisões de gestão que aumentam a probabilidade de retorno do investimento tecnológico. A primeira passa pela criação de uma governação de portefólio que defina prioridades e responsabilidades claras, evitando iniciativas dispersas. A segunda, segundo a nota a que tivemos acesso, centra-se na disciplina de dados, com integração e arquitectura capazes de reduzir duplicações e inconsistências internas. Já a terceira recomenda que a segurança seja incorporada desde a origem nos projectos tecnológicos, como condição para garantir continuidade de serviço, conformidade regulatória e confiança do mercado.
O estudo baseia-se num inquérito global realizado a executivos seniores das áreas de tecnologia e de negócio, em vários países e sectores, sendo apresentado pela KPMG Angola como uma referência internacional para apoiar decisões estratégicas no contexto económico e regulatório do país.
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