F1 mantém GP do Azerbaijão apesar da guerra com o Irão; Qatar e Abu Dhabi continuam sob incerteza
A Fórmula 1 mantém o Grande Prémio do Azerbaijão desta semana, apesar da proximidade com o Irão, enquanto o conflito no Médio Oriente continua a lançar dúvidas sobre as últimas rondas da temporada.
Foto: DR
Paulo Massunda
Colaborador
A Formula One chega a Baku depois de uma temporada já profundamente afectada pela guerra. Os Grandes Prémios do Bahrain e da Arábia Saudita, inicialmente previstos para Abril, não foram realizados nas respectivas datas devido às preocupações de segurança, depois de ambos os países terem sido atingidos no contexto do conflito.
A situação do Azerbaijão é diferente. Segundo uma análise publicada nesta terça-feira, 22 de Setembro, pela Associated Press, o Baku City Circuit fica aproximadamente 170 quilómetros do ponto mais próximo da fronteira do Azerbaijão com o Irão — uma distância inferior à existente entre o território iraniano e os circuitos do Bahrain e da Arábia Saudita.
Apesar dessa proximidade, Baku tem sido consideravelmente menos afectada pelo conflito do que vários países do Golfo.
Em Março, o Azerbaijão responsabilizou o Irão por um ataque com drone que feriu quatro civis e danificou um edifício aeroportuário em Nakhchivan. Teerão negou ter lançado o aparelho e o incidente não desencadeou uma escalada militar significativa entre os dois países.
A avaliação actual de segurança também permite à Fórmula 1 manter a operação logística. O espaço aéreo do Azerbaijão tornou-se particularmente importante para a aviação internacional porque várias companhias estão a utilizá-lo para contornar o Irão e a Rússia. Para a F1, que movimenta milhares de peças, pneus e centenas de profissionais entre corridas, esta disponibilidade é determinante.
A pressão logística será ainda maior porque Baku abre uma sequência de três Grandes Prémios em três semanas.
Depois do Azerbaijão, o campeonato seguirá para Sepang, onde a Malásia receberá de 2 a 4 de Outubro o Grande Prémio do Bahrain transferido. A própria Fórmula 1 e a FIA anunciaram em Julho a solução encontrada para preservar a prova originalmente afectada pela guerra.
Singapura completa a sequência na semana seguinte.
Qatar e Abu Dhabi ainda preocupam
A situação torna-se mais delicada quando o campeonato regressar ao Médio Oriente no final da temporada.
Segundo a AP, a Fórmula 1 continua a trabalhar com a intenção de realizar o Grande Prémio do Qatar, em Novembro, e o Grande Prémio de Abu Dhabi, em Dezembro, mas já analisou alternativas caso as condições de segurança impossibilitem as provas.
Imola surge actualmente como a alternativa mais provável caso seja necessário substituir uma dessas rondas, embora não exista, até ao momento, anúncio oficial de mudança no calendário.
A preocupação não é apenas teórica. Outros campeonatos sob a tutela da Fédération Internationale de l'Automobile já alteraram os respectivos programas devido ao conflito. O Mundial de Ralis cancelou recentemente a etapa final prevista para a Arábia Saudita, enquanto o Mundial de Resistência retirou anteriormente Bahrain e Qatar do calendário e transferiu as provas para a Europa.
A evolução da guerra poderá ainda afectar 2027. A Fórmula 1 anunciou na semana passada que o Bahrain deverá abrir a próxima temporada em Março e receber também os testes de pré-temporada.
Por enquanto, porém, Baku mantém-se.
Os carros entram em pista na quinta-feira, 24 de Setembro, com o primeiro treino livre às 08h30 de Angola e o segundo às 12h00. Na sexta-feira, o FP3 começa às 08h30 e a qualificação às 12h00. A corrida realiza-se excepcionalmente no sábado, 26 de Setembro, às 11h00 de Angola.
A realização no sábado não está relacionada com a guerra. A FIA e a Fórmula 1 anteciparam todo o programa a pedido do promotor e das autoridades do Azerbaijão porque domingo, 27 de Setembro, é o Dia da Memória no país.
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