Farinha de trigo sobe até 40% e padarias reduzem peso do pão
O preço da farinha de trigo aumentou até 40% em Angola, levando algumas padarias a reduzir o peso do pão para conter os custos de produção.
Foto: DR
Paulo Massunda
Colaborador
A subida tornou-se mais acentuada desde a segunda quinzena de Setembro, sobretudo no mercado informal, segundo operadores ouvidos pelo Valor Económico. A publicação refere que algumas panificadoras estão a retirar até 30 gramas ao peso do pão, evitando, por enquanto, transferir integralmente o agravamento dos custos para o preço pago pelos consumidores.
A pressão já vinha sendo sinalizada pela Rádio Nacional de Angola (RNA). Em 23 de Setembro, a estação pública informou que a farinha estava simultaneamente mais cara e mais difícil de encontrar no mercado nacional, colocando os produtores de pão em alerta.
A Associação dos Produtores de Farinha de Trigo de Angola atribuiu a redução da oferta à escassez e à subida dos preços nos mercados internacionais, segundo a RNA. Proprietários de panificadoras também relataram encerramentos de unidades em Luanda devido ao aumento da matéria-prima e dos restantes custos de produção.
Em Luanda, o saco de farinha terá passado de cerca de 23 mil para 32 mil kwanzas, uma subida próxima de 39%, segundo informações divulgadas pela RNA e reproduzidas por publicações económicas. O valor pode variar conforme o fornecedor e o canal de comercialização.
O aumento de 40% deve, contudo, ser apresentado como uma estimativa recolhida junto de operadores do sector. Até ao momento da verificação, não foi identificada uma estatística nacional do Ministério da Indústria e Comércio ou do Instituto Nacional de Estatística que confirme essa variação como média oficial de todo o mercado.
A dependência externa amplia a exposição do sector às oscilações cambiais, aos preços internacionais e aos custos logísticos. Dados do Ministério da Indústria e Comércio, citados pela RNA, indicam que Angola gasta cerca de 400 milhões de dólares por ano com a importação de trigo ou farinha de trigo.
Para as famílias, o impacto pode surgir de duas formas: aumento directo do preço do pão ou redução do tamanho e do peso mantendo-se o preço nominal. Neste último caso, o consumidor compra menos produto pelo mesmo valor, o que representa uma subida efectiva do custo.
O pão é um dos alimentos de maior consumo nos agregados familiares angolanos. A continuidade da subida da farinha poderá, por isso, pressionar o orçamento das famílias e agravar os custos de pequenos estabelecimentos de panificação, especialmente os que compram matéria-prima no mercado informal.
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