Fome extrema leva famílias afegãs a vender filhos para sobreviver
Crise humanitária no Afeganistão está a empurrar milhares de famílias para decisões desesperadas.
Foto: DR
Paulo Massunda
Jornalista e CEO
Centenas de homens continuam a reunir-se diariamente numa praça poeirenta da cidade de Chaghcharan, capital da província de Ghor, no oeste do Afghanistan, na esperança de conseguir algum trabalho temporário que permita alimentar as suas famílias. Segundo a BBC, muitos passam dias sem encontrar qualquer oportunidade de rendimento.
Entre eles está Juma Khan, de 45 anos, que relatou ter conseguido apenas três dias de trabalho nas últimas seis semanas, recebendo entre 150 e 200 afghanis por dia, o equivalente a pouco mais de dois dólares.
“Os meus filhos dormiram com fome durante três noites seguidas. A minha esposa chorava, assim como os meus filhos”, contou à BBC. “Vivo com medo de que os meus filhos morram de fome.”
A situação descrita por Juma Khan reflete uma realidade cada vez mais comum no Afeganistão, onde o colapso económico, a seca e a redução da ajuda internacional agravaram drasticamente as condições de vida da população desde o regresso do Taliban ao poder em 2021.
Segundo organizações humanitárias citadas pela BBC, muitas famílias acumulam dívidas, enfrentam desemprego severo e não conseguem garantir sequer uma refeição diária. Em alguns casos extremos, pais têm recorrido à venda de filhos pequenos ou ao casamento infantil forçado como forma de obter dinheiro para sobreviver.
A província de Ghor está entre as regiões mais afectadas pela pobreza e insegurança alimentar. O isolamento geográfico e a escassez de empregos agravam ainda mais a crise humanitária local.
Agências internacionais alertam que milhões de afegãos continuam dependentes de ajuda alimentar urgente, enquanto a economia do país permanece praticamente paralisada.
A BBC destaca que, apesar dos esforços de algumas organizações humanitárias, a redução do financiamento internacional está a limitar a capacidade de resposta à crise, deixando milhares de famílias sem alternativas.
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