Nishikori despede-se do ténis em Tóquio e encerra carreira que mudou a história asiática
Kei Nishikori disputou o último encontro da carreira nesta quinta-feira e despediu-se do ténis profissional aos 36 anos, depois de perder para Frances Tiafoe no Japan Open.
Foto: DR
Paulo Massunda
Colaborador
Kei Nishikori encerrou nesta quinta-feira, 1 de Outubro, uma carreira profissional de quase duas décadas. O japonês perdeu para o norte-americano Frances Tiafoe por 6-4 e 6-4, na primeira ronda do Japan Open, e recebeu uma longa homenagem do público no Ariake Coliseum, em Tóquio. Reuters e Associated Press confirmaram que este foi o último encontro profissional do antigo número quatro mundial.
Nishikori já tinha anunciado, em Maio, que encerraria a carreira em 2026. O Japan Open, torneio que conquistou em 2012 e 2014, ofereceu-lhe um wild card para que pudesse despedir-se diante do público japonês.
A derrota desta quinta-feira colocou um ponto final numa das carreiras mais importantes da história do ténis asiático. Em 2014, Nishikori tornou-se o primeiro homem asiático a disputar uma final de singulares de um Grand Slam, ao chegar à decisão do US Open, onde perdeu para Marin Cilic. No ano seguinte, alcançou o quarto lugar do ranking ATP, melhor posição da carreira.
O japonês conquistou 12 títulos ATP, disputou quatro finais de Masters 1000 e chegou por duas vezes às meias-finais das ATP Finals. Nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro de 2016, conquistou ainda a medalha de bronze depois de derrotar Rafael Nadal.
A dimensão do seu legado ficou evidente depois do último ponto. A organização exibiu um vídeo de homenagem com mensagens de vários nomes do circuito. Novak Djokovic destacou a capacidade de Nishikori para regressar repetidamente depois das lesões, enquanto Carlos Alcaraz revelou que sempre acompanhou a carreira do japonês como admirador. Grigor Dimitrov, Alex de Minaur, Andy Murray e Stefanos Tsitsipas também participaram nas homenagens.
As lesões acabaram por marcar profundamente a fase final da carreira. Nishikori enfrentou sucessivos problemas físicos nos últimos anos, falhou o Australian Open de 2026 devido a dores no ombro direito e chegou ao torneio de Tóquio no 436.º lugar do ranking mundial.
O percurso de Nishikori ganha particular relevância para o ténis fora dos tradicionais centros de poder da modalidade. A sua chegada à final do US Open, a entrada no Top 5 e a permanência durante anos entre os melhores jogadores do mundo demonstraram que um tenista asiático poderia disputar os maiores títulos numa época dominada por alguns dos melhores jogadores da história.
O último encontro terminou sem título ou vitória, mas exactamente onde Nishikori pretendia: em casa, diante do público japonês e no torneio que venceu duas vezes.
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