“Paisagens e Figuras Evocativas” de Mestre Van adornam Palácio de Ferro
O artista é “uma das mais altas e centrais figuras da arte moderna e contemporânea angolana”.
Foto: Cedida
Nilwa António
Jornalista, fotógrafo e editor-chefe
As “Paisagens e Figuras Evocativas” do artista plástico angolano Francisco Van-Dúnem vão ser dadas a conhecer ao público nesta quinta-feira, 23, a partir das 18h30, uma exposição que o Palácio de Ferro promove em parceria com a produtora Maia Tanner.
Mais do que uma simples mostra, a exposição apresenta-se como uma síntese de mais de cinco décadas de prática artística de Mestre Van, como é também carinhosamente chamado, marcada por uma investigação contínua em torno da memória, do território e da identidade, com as obras a percorrerem o seu universo visual e simbólico, onde o quotidiano angolano é transformado em linguagem estética.
Entre as peças em destaque figuram ‘Estacas de Mandioqueira (Homenagem à Farinha Museke)’, ‘Paisagem e Kitanda Flutuante I’ e ‘Colhendo Café’, esta última datada de 1988 e recentemente restaurada. Nas composições do artista, as paisagens deixam de ser meramente observadas para se tornarem experiências vividas e reinterpretadas.
Na sua reflexão ‘A Síntese Dinâmica da Praxis Criativa’, Francisco Van-Dúnem defende que “a obra só se completa através do olhar do público”, sublinhando uma prática assente na tensão entre tradição e contemporaneidade, forma e conteúdo, bem como entre memória e experimentação. O resultado, segundo o próprio artista, é uma linguagem plástica dinâmica, em que cada obra dialoga com as restantes.
Dominick A. Maia Tanner, citado na nota a que o Noticiário teve acesso, considerou Van-Dúnem “uma das mais altas e centrais figuras da arte moderna e contemporânea angolana”, destacando o seu percurso internacional, com passagens por Angola, Cuba, Portugal e Reino Unido.
O artista é membro fundador da União Nacional de Artistas Plásticos e soma mais de 39 exposições individuais e cerca de 150 colectivas. Entre as distinções, destacam-se o Prémio Nacional de Cultura e Artes e a Medalha dos 50 anos da Independência Nacional, atribuída em 2025.
Com uma obra multidisciplinar que atravessa pintura, escultura, gravura, fotografia e instalação, Mestre Van constrói uma linguagem própria, firmada na matriz identitária angolana. O seu trabalho dialoga com referências que vão desde a arte rupestre e os ideogramas Sona até às influências do cubismo e do expressionismo abstracto, afirmando-se no contexto artístico global.
Além da vertente criativa, a sua prática assume também um papel pedagógico e institucional, contribuindo para a formação de novas gerações e para a consolidação do sistema artístico nacional.
No entanto, a exposição estará patente até 19 de Maio, podendo ser visitada no horário habitual do Palácio de Ferro ou mediante marcação.
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