Verstappen revela que esteve mais perto de abandonar a Fórmula 1 do que de mudar de equipa
Max Verstappen revelou que considerou seriamente abandonar a Fórmula 1 antes de renovar com a Red Bull até ao final de 2030.
Foto: F1
Paulo Massunda
Colaborador
Durante meses, o futuro do tetracampeão esteve envolvido em especulação. Verstappen tinha contrato até 2028, mas as dificuldades da Red Bull com os novos regulamentos de 2026 alimentaram dúvidas sobre a continuidade e rumores de uma possível transferência.
Houve contactos com outras equipas. A própria Formula 1 relata que a gestão do neerlandês explorou alternativas, incluindo conversações com a McLaren. No entanto, Verstappen explicou que a verdadeira decisão que enfrentou não era propriamente escolher entre Red Bull e uma rival: era decidir se queria continuar na Fórmula 1.
“Estive mais perto de parar do que de mudar”
Verstappen afirmou que considerou seriamente deixar a categoria e que esteve “mais perto de parar do que de mudar” de equipa.
A declaração ajuda a explicar por que razão, apesar dos contactos com outras estruturas, o piloto acabou por prolongar a ligação à Red Bull.
Um dos principais factores das dúvidas de Verstappen foi a sua insatisfação com a geração de monolugares introduzida em 2026. A Formula 1 confirmou que o neerlandês não tem apreciado particularmente os novos carros, ao mesmo tempo que a Red Bull perdeu competitividade e ainda não conseguiu vencer nesta temporada.
Assim, a possibilidade de saída não estava relacionada apenas com o desempenho da equipa. A questão era mais ampla: Verstappen ainda encontrava na actual Fórmula 1 razões suficientes para continuar?
A resposta acabou por ser positiva.
Red Bull continua a ser “família”
Verstappen explicou que não sente necessidade de correr com outras cores apenas para demonstrar que consegue vencer por outra equipa.
O piloto está ligado à estrutura da Red Bull desde que chegou à Fórmula 1, inicialmente pela Toro Rosso em 2015, antes de ser promovido à equipa principal em 2016. Desde então, conquistou quatro títulos mundiais e 71 vitórias.
A relação construída durante esse período teve peso na decisão.
Verstappen descreveu a Red Bull como uma “família” e recordou que chegou a conversar com Dietrich Mateschitz, fundador da companhia, sobre o objectivo de terminar a carreira na equipa.
Nem mesmo as várias mudanças ocorridas na estrutura alteraram essa ligação. Christian Horner e Adrian Newey estão entre os nomes importantes que deixaram a equipa nos últimos anos, enquanto o engenheiro de corrida de Verstappen, Gianpiero Lambiase, já tem prevista a saída para a McLaren em 2028.
Contrato até 2030 não significa carreira até 2030
A renovação encerrou, pelo menos temporariamente, as dúvidas sobre o futuro do tetracampeão.
O novo acordo prolonga a ligação de Verstappen à Red Bull até ao final da temporada de 2030, dois anos além do contrato anterior. Caso permaneça até ao fim, completará 15 temporadas ligado à equipa principal.
Mas o contrato não significa necessariamente que Verstappen tenha decidido permanecer na Fórmula 1 até essa data a qualquer custo.
O neerlandês tem reiterado que não pretende prolongar a carreira apenas para perseguir números e recordes. Aos 28 anos e com quatro títulos mundiais conquistados, considera que já não precisa de provar o valor através das estatísticas.
O prazer de competir continuará a ser determinante.
Outras categorias também pesaram na decisão
Há ainda outro elemento importante na relação entre Verstappen e a Red Bull: a liberdade para explorar competições fora da Fórmula 1.
O piloto tem demonstrado interesse crescente pelas corridas de resistência e não esconde o desejo de participar noutras categorias durante ou depois da carreira na F1. A flexibilidade da Red Bull relativamente a esses projectos também contribuiu para a permanência.
Isso ajuda a explicar por que razão uma transferência para outra equipa não era necessariamente a solução para as dúvidas que enfrentava.
Regulamentos futuros podem voltar a pesar
A decisão também não encerra definitivamente a discussão sobre quanto tempo Verstappen permanecerá na Fórmula 1.
O piloto tem sido crítico da actual direcção técnica da categoria e vê com interesse possíveis mudanças futuras, incluindo a discussão sobre uma eventual nova geração de motores a partir de 2030.
Por enquanto, porém, a escolha está feita: Verstappen continuará na Red Bull.
A revelação mostra que, durante o período de maior incerteza, a Fórmula 1 esteve mais perto de perder um dos seus principais pilotos do que de o ver simplesmente trocar a Red Bull por outra equipa.
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