Estrelas do ténis suspendem protestos públicos e passam disputa com Grand Slams para nova mesa de negociação
Os principais jogadores do mundo encerraram a fase pública da campanha por maior participação nas receitas dos Grand Slams, depois da criação de um conselho que lhes dará acesso directo às negociações.
Foto: DR
Redacção
A movimentação representa uma mudança importante na disputa que marcou a temporada de 2026. Os jogadores anunciaram, esta segunda-feira, 14 de Setembro, que as reivindicações dirigidas ao Australian Open, Roland Garros, Wimbledon e US Open passarão a ser conduzidas através do novo Grand Slam Player Advisory Council. A decisão foi confirmada pela Reuters e pela Associated Press.
A criação do conselho já tinha sido anunciada conjuntamente pelos quatro Grand Slams em Agosto. Segundo a organização do US Open, o órgão pretende estabelecer um fórum permanente de comunicação, consulta e colaboração entre jogadores e responsáveis pelos quatro maiores torneios do calendário.
A pressão começou em Março de 2025 e ganhou dimensão esta temporada. Entre as principais reivindicações estão maior influência dos atletas nas decisões que os afectam, reforço dos programas de assistência e bem-estar e uma participação maior nas receitas. Os jogadores propuseram que 22% das receitas dos Grand Slams sejam destinadas a prémios até 2030.
A campanha chegou aos courts em 2026. Jogadores reduziram compromissos com a imprensa em Roland Garros e Wimbledon, enquanto nomes como Aryna Sabalenka chegaram a admitir publicamente a possibilidade de medidas ainda mais fortes. Agora, o grupo considera que a existência de uma estrutura formal de negociação permite suspender essa estratégia de pressão pública.
Há resultados financeiros concretos. Segundo os jogadores, desde a apresentação formal das propostas, em Julho de 2025, os prémios distribuídos pelos majors abrangidos chegaram a 415,6 milhões de dólares, com mais de 30 milhões em aumentos que, segundo os atletas, ultrapassam a tendência histórica de crescimento.
O US Open tornou-se ainda o primeiro Grand Slam a comprometer dois milhões de dólares para o bem-estar dos jogadores, enquanto Roland Garros apresentou uma proposta para relacionar os prémios com os lucros do torneio. O US Open deste ano distribuiu um pacote recorde de 108 milhões de dólares aos jogadores.
A disputa, porém, não terminou. Os Grand Slams ainda não aceitaram a meta dos 22% das receitas, e os próprios jogadores deixaram uma salvaguarda: a campanha pública poderá ser retomada caso o novo conselho não produza avanços suficientes.
O acordo transforma, assim, um conflito que chegou a produzir ameaças de boicote e protestos durante os Grand Slams numa negociação institucional permanente — sem retirar aos jogadores a possibilidade de voltarem à pressão pública.
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