FADA ‘larga’ 54,5 mil milhões Kz para agricultura em cinco anos
O FADA posiciona-se como um organismo importante para a diversificação económica e fortalecimento da produção nacional.
Foto: DR
Nilwa António
Jornalista & Editor Chefe
O Fundo de Apoio ao Desenvolvimento Agrário (FADA) desembolsou, entre 1 de Janeiro de 2020 e 31 de Dezembro de 2025, 54,5 mil milhões de kwanzas no financiamento de projectos agrícolas em todo o País, consolidando-se como um dos principais instrumentos públicos de financiamento directo ao sector produtivo agrário em Angola.
Os dados foram avançados pela presidente do conselho de administração da organização, Felisbela Francisco, que destacou que o financiamento tem permitido expandir a base produtiva agrícola, reforçar a segurança alimentar e dinamizar as cadeias de valor nacionais.
No período em análise, o FADA aprovou 6.514 projectos agrícolas, correspondentes a um volume global de financiamento de 72,51 mil milhões de kwanzas, dos quais 5.092 projectos já receberam desembolsos efectivos, fez saber a responsável em entrevista ao Jornal de Economia & Finanças, por via da qual esclareceu que estes resultados evidenciam o crescente papel do Fundo no apoio ao desenvolvimento do sector agrícola e na promoção da diversificação económica.
A estrutura da carteira financiada demonstra uma forte aposta na agricultura familiar e no fortalecimento das organizações de produtores. Cerca de 40% dos recursos desembolsados foram destinados a produtores individuais, abrangendo mais de 3.300 projectos, enquanto 39% foram canalizados para cooperativas agrícolas, que beneficiaram de mais de 1.300 financiamentos. Os restantes 21% foram atribuídos a empresas agrícolas e associações de produtores, contribuindo para reforçar a componente empresarial das cadeias de valor agrícolas.
Em termos territoriais, o financiamento tem procurado alcançar várias regiões do país, com destaque para as províncias do Huambo e da Huíla, que concentram carteiras superiores a 9 mil milhões de kwanzas, seguidas pelo Bié, Luanda, Cuanza-Sul, Namibe, Icolo e Bengo e Malanje. A dispersão geográfica do crédito, segundo o FADA, reflecte um esforço de descentralização e maior proximidade institucional junto dos produtores rurais.
A estratégia do Fundo tem sido acompanhada por um reforço da presença territorial. Em Julho de 2025 foi criada a Agência Regional Centro, sediada no Huambo, e em Fevereiro de 2026 foi inaugurada a Agência Regional Norte, em Malanje, com cobertura sobre quatro províncias. Estas estruturas procuram melhorar o acompanhamento técnico dos projectos e reduzir as dificuldades de acesso ao financiamento no meio rural.
De acordo com Felisbela Francisco, o impacto do financiamento vai além da dimensão financeira. O acesso ao crédito tem permitido aumentar a área cultivada, melhorar os níveis de produtividade e gerar emprego nas comunidades agrícolas, tanto nas explorações financiadas como em actividades associadas, como transporte, comercialização e transformação de produtos.
O Fundo tem também apoiado a modernização da agricultura familiar por via da introdução de mecanização ligeira. Até ao final de 2025, 582 equipamentos agrícolas foram financiados, incluindo 439 tractores e 143 motocultivadores, num investimento superior a 17,7 mil milhões de kwanzas.
No tocante à recuperação do crédito, o FADA registou reembolsos acumulados superiores a 10,9 mil milhões de kwanzas, correspondendo a uma taxa de recuperação de cerca de 20% do total desembolsado. Contudo, uma parte significativa dos financiamentos ainda se encontra em período de carência, prática comum em programas de crédito agrícola, que permite aos projectos atingir maturidade produtiva antes do início das amortizações, sublinha a instituição.
À parte o financiamento directo, o Fundo tem promovido iniciativas complementares destinadas a melhorar a organização dos produtores e aumentar a sustentabilidade dos projectos, destacando-se, entre elas, o Projecto de Formalização de Cooperativas Agrícolas Familiares, que apoia a transformação de associações informais em cooperativas legalmente constituídas, facilitando o acesso ao crédito e aos mercados formais.
O FADA posiciona-se como um instrumento central das políticas públicas de diversificação económica e fortalecimento da produção nacional, contribuindo para reduzir a dependência de importações alimentares e estimular o desenvolvimento da economia rural.
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