Luanda, Angola
Internacional

Israel acusado de ataques com drones contra instalações energéticas no Golfo para ampliar guerra ‎

“Este é um esforço israelita para sabotar a paz regional e as alianças entre vizinhos”, disse uma fonte ao Middle East Eye.

Israel acusado de ataques com drones contra instalações energéticas no Golfo para ampliar guerra ‎

Imagem de satélite fornecida pela Vantor mostra danos após ataque de drone na refinaria de petróleo de Ras Tanura, na Arábia Saudita / AP

Foto: DR

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Paulo Massunda

Jornalista e CEO

6 mar 2026
5 min de leitura
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Autoridades iranianas acusaram Israel de realizar ataques com drones contra instalações energéticas e outros alvos no Golfo, numa alegada tentativa de provocar tensão regional e envolver países árabes no conflito entre EUA, Israel e Irão.

‎‎Um funcionário do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano fez saber ao Middle East Eye (MEE) que Israel estaria por trás de ataques registados na Arábia Saudita e de pelo menos um incidente em Omã. “Posso afirmar categoricamente que alguns dos ataques não foram realizados por nós [Irão]”, afirmou a fonte, citada também pela TRT World.

‎‎As alegações surgem após vários ataques com drones e mísseis contra instalações sauditas, incluindo a refinaria de Ras Tanura e alvos na capital, Riade, além de dois incidentes no porto de Duqm, em Omã.

‎‎O funcionário iraniano não especificou quais ataques seriam atribuídos a Israel.

‎‎A Arábia Saudita relatou vários incidentes envolvendo drones e mísseis, incluindo ataques contra a Base Aérea Prince Sultan, a refinaria de Ras Tanura e outros locais em Riade. O porto de Duqm, em Omã, um centro logístico que desde 2019 concede acesso naval aos Estados Unidos, também terá sido alvo em duas ocasiões.

‎‎Teerão reconheceu ter lançado ataques contra activos militares norte-americanos no Médio Oriente desde sábado, afirmando tratar-se de retaliação contra ataques conjuntos de Washington e Israel.

‎‎Mossad operaria em solo iraniano

‎‎Duas fontes iranianas disseram ao MEE que o serviço de inteligência israelita, o Mossad, teria conduzido operações recorrendo a uma rede de agentes e infra-estrutura já estabelecida dentro do Irão.

‎‎Segundo essas fontes, autoridades iranianas estariam a localizar armazéns usados para armazenar drones. “Não nos surpreenderia se existissem depósitos e salas operacionais semelhantes noutros países da região”, disse uma delas.

‎‎Israel tem sido associado no passado a várias operações clandestinas contra alvos iranianos, incluindo o assassinato de um cientista nuclear, ataques cibernéticos contra infra-estrutura nuclear e a apreensão de arquivos ligados ao programa nuclear iraniano.

‎‎Outra fonte citada pelo MEE afirmou que Teerão informou discretamente a Arábia Saudita de que não foi responsável pelo ataque à instalação da Saudi Aramco em Ras Tanura, um dos principais centros de refinação e exportação de petróleo do reino.

‎‎Irão afirma agir em legítima defesa

‎‎As acusações surgem num momento em que os países do Golfo enfrentam crescente pressão de Washington para apoiar ações contra o Irão.

‎‎Segundo fontes diplomáticas, durante uma recente reunião por videoconferência dos ministros dos Negócios Estrangeiros do Conselho de Cooperação do Golfo, foi discutida a possibilidade de responder aos ataques iranianos para garantir a segurança regional.

‎‎O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, procurou tranquilizar os países vizinhos, afirmando que Teerão respeita a soberania regional e age apenas em legítima defesa.

‎‎“Vossas Majestades, chefes de Estado amigos e vizinhos, esforçámo-nos convosco, através da diplomacia, para evitar a guerra. Mas a agressão militar americano-sionista não nos deixou escolha senão defender-nos”, expressou.

‎‎Pezeshkian acrescentou que o Irão considera que a estabilidade regional deve ser alcançada através da cooperação entre países vizinhos.

‎‎O ex-primeiro-ministro do Catar, Hamad bin Jassim bin Jaber Al Thani, também apelou aos Estados do Golfo para evitarem envolvimento direto no conflito, alertando que uma escalada poderia desestabilizar a região e esgotar recursos de todos os lados.

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