Israel acusado de ataques com drones contra instalações energéticas no Golfo para ampliar guerra
“Este é um esforço israelita para sabotar a paz regional e as alianças entre vizinhos”, disse uma fonte ao Middle East Eye.

Imagem de satélite fornecida pela Vantor mostra danos após ataque de drone na refinaria de petróleo de Ras Tanura, na Arábia Saudita / AP
Foto: DR
Paulo Massunda
Jornalista e CEO
Autoridades iranianas acusaram Israel de realizar ataques com drones contra instalações energéticas e outros alvos no Golfo, numa alegada tentativa de provocar tensão regional e envolver países árabes no conflito entre EUA, Israel e Irão.
Um funcionário do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano fez saber ao Middle East Eye (MEE) que Israel estaria por trás de ataques registados na Arábia Saudita e de pelo menos um incidente em Omã. “Posso afirmar categoricamente que alguns dos ataques não foram realizados por nós [Irão]”, afirmou a fonte, citada também pela TRT World.
As alegações surgem após vários ataques com drones e mísseis contra instalações sauditas, incluindo a refinaria de Ras Tanura e alvos na capital, Riade, além de dois incidentes no porto de Duqm, em Omã.
O funcionário iraniano não especificou quais ataques seriam atribuídos a Israel.
A Arábia Saudita relatou vários incidentes envolvendo drones e mísseis, incluindo ataques contra a Base Aérea Prince Sultan, a refinaria de Ras Tanura e outros locais em Riade. O porto de Duqm, em Omã, um centro logístico que desde 2019 concede acesso naval aos Estados Unidos, também terá sido alvo em duas ocasiões.
Teerão reconheceu ter lançado ataques contra activos militares norte-americanos no Médio Oriente desde sábado, afirmando tratar-se de retaliação contra ataques conjuntos de Washington e Israel.
Mossad operaria em solo iraniano
Duas fontes iranianas disseram ao MEE que o serviço de inteligência israelita, o Mossad, teria conduzido operações recorrendo a uma rede de agentes e infra-estrutura já estabelecida dentro do Irão.
Segundo essas fontes, autoridades iranianas estariam a localizar armazéns usados para armazenar drones. “Não nos surpreenderia se existissem depósitos e salas operacionais semelhantes noutros países da região”, disse uma delas.
Israel tem sido associado no passado a várias operações clandestinas contra alvos iranianos, incluindo o assassinato de um cientista nuclear, ataques cibernéticos contra infra-estrutura nuclear e a apreensão de arquivos ligados ao programa nuclear iraniano.
Outra fonte citada pelo MEE afirmou que Teerão informou discretamente a Arábia Saudita de que não foi responsável pelo ataque à instalação da Saudi Aramco em Ras Tanura, um dos principais centros de refinação e exportação de petróleo do reino.
Irão afirma agir em legítima defesa
As acusações surgem num momento em que os países do Golfo enfrentam crescente pressão de Washington para apoiar ações contra o Irão.
Segundo fontes diplomáticas, durante uma recente reunião por videoconferência dos ministros dos Negócios Estrangeiros do Conselho de Cooperação do Golfo, foi discutida a possibilidade de responder aos ataques iranianos para garantir a segurança regional.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, procurou tranquilizar os países vizinhos, afirmando que Teerão respeita a soberania regional e age apenas em legítima defesa.
“Vossas Majestades, chefes de Estado amigos e vizinhos, esforçámo-nos convosco, através da diplomacia, para evitar a guerra. Mas a agressão militar americano-sionista não nos deixou escolha senão defender-nos”, expressou.
Pezeshkian acrescentou que o Irão considera que a estabilidade regional deve ser alcançada através da cooperação entre países vizinhos.
O ex-primeiro-ministro do Catar, Hamad bin Jassim bin Jaber Al Thani, também apelou aos Estados do Golfo para evitarem envolvimento direto no conflito, alertando que uma escalada poderia desestabilizar a região e esgotar recursos de todos os lados.
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